MFV - Abrindo os olhos para o desperdício


A reprogramação constante é familiar na rotina de muitas empresas. Variação nos tempos de processo e paradas inesperadas em máquinas (ver post de estabilidade básica) frequentemente atrasam a produção e exigem esforço dos colaboradores para realocar as ordens a fim de atender a demanda do cliente.E isso nem sempre é possível. As máquinas parecem não suportar a quantidade de pedidos, sabe-se que existem desperdícios, porém não se sabe a origem. Enquanto isso, a necessidade de melhorar o sistema de produção é crescente, para que se possa permanecer competitivo no mercado. Mas como fazer para evitar eventos inesperados na produção, melhorar a cadeia de valor dos produtos e aumentar o nível de serviço ?

A ferramenta do Lean, MFV – Mapeamento do fluxo de valor, também conhecida como VSM do inglês Value Stream Mapping é uma representação da cadeia de valor de uma família de produtos que através de métricas de tempo e disponibilidade de máquina colocam em evidência os principais problemas no fluxo de valor. Dessa forma descobre-se também os processos mais críticos, que restringem a produção. Nela são representados os dois principais fluxos: de informação e material.

A lógica é simples: com lápis e papel desenha-se a cadeia de valor, desde a matéria prima até produto acabado. Os processos de produção devem conter métricas para que seja possível analisar a situação da empresa. Vamos apresentar as mais recorrentes:

Tempo de Processamento: Tempo contabilizado desde o início de uma operação de transformação do produto até a conclusão da última em um processo.

Tempo em Estoque: Quantidade de tempo que um produto permanece no estoque.

Lead Time: É o tempo que um produto passar dentro da empresa desde matéria prima até produto final, é calculado como uma soma dos dois anteriores.

Com o fluxo dos produtos da família em mente é necessário adicionar conectores, como setas e linhas, representando os fluxos de informação e material. Curiosamente, muitas vezes a origem do problema está relacionada à comunicação, falta ou excesso dela. As métricas podem variar para cada caso, o MFV é uma ferramenta adaptável. O importante é evidenciar os desperdícios. Para que se tenha sucesso, um bom entendimento do processo produtivo faz-se necessário, assim como algumas boas horas de observação no gemba, local onde as coisas acontecem.

O resultado do trabalho com a ferramenta é um mapa da situação atual e a partir dele deve-se compreender o problema. Mas, um mapa do estado atual e os desperdícios evidenciados por si sós não trazem muitos resultados. É importante saber onde estamos e, mais ainda, saber onde queremos chegar. Portanto o próximo passo é desenhar o estado futuro, o cenário ideal, livre dos problemas identificados e com a produção otimizada. É o momento de trabalhar com as métricas que foram anteriormente definidas, onde o foco é comumente reduzir o lead time e os estoques. Para isso utilizam-se outros conceitos do lean e ferramentas, como supermercado ou TRF, sempre baseando-se nos 5 princípios do Lean.

Com o estado futuro pronto, é hora de colocar a mão na massa. O novo mapa deve resultar em um plano de ação, que contenha as contramedidas necessárias para resolver os problemas com responsável e prazo. O processo de implementação deve ser uma missão de todos os envolvidos para que se possa mudar a forma como as coisas acontecem e chegar no estado almejado. À medida que o plano de ação for executado é importante acompanhar de perto todas as mudanças até que elas se estabilizem.

Através de um entendimento do processo produtivo, desenho de um mapa do estado atual, identificação dos problemas, desenho do estado futuro e implementação é possível reduzir os desperdícios da cadeia de valor e aumentar o nível de serviço.


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