A filosofia Lean aplicada a Desenvolvimento de Produtos

O mercado atual está cada vez mais competitivo e por isso as empresas precisam sempre procurar oferecer o melhor produto com o menor preço possível. Uma área da empresa destinada ao PD&I(Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) é uma forma de garantir a competitividade e é crucial para a evolução de uma companhia. Tal investimento traz como benefícios: aumento da participação do mercado, melhorias significativas em produtos e aumento das margens de lucro.

Empresas enfrentam muitas dificuldades ao desenvolver novos produtos, principalmente com problemas de qualidade do projeto, lead times longos e custo muito alto de desenvolvimento. E é nesse cenário que um sistema de desenvolvimento de produtos mais eficiente e com menos desperdícios torna-se bastante estratégico.

A Toyota, empresa criadora do Lean Manufacturing e do STP, Sistema Toyota de Produção, tem conseguido desenvolver produtos e processos com menores custos e com qualidade superior à de seus concorrentes. Isso se deve ao sistema que, junto da produção a Toyota desenvolveu ao longo dos anos, o Sistema Lean de Desenvolvimento de Produtos.

O Lean Manufacturing tem como foco a redução dos desperdícios das operações de manufatura de um produto, elevando a taxa de agregação de valor. Já o Lean aplicado ao processo de desenvolvimento de produto está relacionado à criação de fluxo de valor. Valor é aquilo que o cliente realmente quer comprar; e concentrar-se em fluxo de valor é ter atividades conectadas que criam valor. (WARD, 2009).

Dessa forma, o LPD(Lean Product Development) tem como objetivo criar um fluxo de valor no desenvolvimento que inclui atividades desde o reconhecimento da oportunidade de mercado até o lançamento do produto.

Desperdícios no Sistema de Desenvolvimento de Produtos

O principal valor para o desenvolvimento de produtos é gerar conhecimento, logo, os desperdícios mais importantes são relacionados a isso. Há três categorias primárias de desperdícios de conhecimento: dispersão, desconexão e ilusão.

Dispersão: ações que interrompem o fluxo do conhecimento, pois o conhecimento correto não chega ao lugar certo. Esse desperdício rompe as interações necessárias para o trabalho em equipe.

Desconexão: ocorre ocorre quando são separados os 4 componentes: conhecimento, responsabilidade, ação e feedback. Esse desperdício resulta em decisões sendo tomadas por pessoas que não possuem o conhecimento necessário.

Ilusão: significa tomar decisões sem dados ou operando às cegas. No início de um projeto, os clientes não sabem o que querem e os desenvolvedores não sabem o que a natureza permite, portanto, estabelecer especificações no início de um projeto seria um desperdício de ilusão, possivelmente trazendo custo excessivo e graves problemas de qualidade.

5 Principíos do LPD

O livro “Sistema Lean de Desenvolvimento de Produtos e Processo” de Allen C. Ward traz 5 princípios fundamentais para o LPD.

1. Valor

O principal objetivo é gerar conhecimento utilizável que é criado e entregue pelo desenvolvimento de produtos. O departamento de desenvolvimento entrega conhecimento ao departamento de operações através de fluxos operacionais rentáveis, que tem valor apenas se permitir que as operações entreguem produtos melhores ao cliente externo. Sob o ponto de vista do cliente final, desenvolvimento é como limpar o chão - uma atividade que não agrega valor, mas que é necessária.

2. Liderança do projetista de sistema empreendedor

Todo processo de desenvolvimento Lean deve possuir um líder empreendedor experiente. Esse líder desempenha um papel crucial no LPD, pois ele é responsável por projetar o fluxo de valor e de unir todos os componentes do desenvolvimento.

3. Engenharia Simultânea com Múltiplas Alternativas(E.S.M.A.)

No método tradicional de desenvolvimento um conceito de projeto é rapidamente escolhido para se gastar grande parte do tempo em seu detalhamento. Seu maior problema é que muitas decisões são tomadas muito antes de saber se os componentes, que são projetados independentemente, se encaixarão e se o projeto realmente funcionará. Tomadas de decisões erradas podem gerar grandes retrabalhos no futuro.

O E.S.M.A. tem como fundamento explorar simultaneamente múltiplas soluções realizando análises e testes rápidos e de baixo custo, progressivamente eliminando soluções fracas. Conforme ocorre a filtração dos conceitos, se aumenta o detalhamento para a convergência em somente uma solução. A ideia é que quanto mais tempo investido em testes, menos tempo será gasto em ajustes posteriormente.

As informações obtidas nos testes das múltiplas alternativas devem ser utilizadas para criação de uma base de conhecimento de curvas trade-off. Dessa forma, o conhecimento obtido em um projeto é armazenado para projetos futuros ao invés de ser descartada. A utilização de curvas trade-off é a forma de transformar dados em conhecimento utilizável. É uma forma de mostrar os limites do que pode ser feito com uma determinada tecnologia e de representar dados de forma visual.

4. Cadência, Fluxo e Puxada

Assim como na manufatura, em desenvolvimento de produtos, projetos devem ter intervalos e durações padrões, para que as equipes possam trabalhar dentro de um ritmo repetitivo, o que acarreta numa maior regularidade do trabalho dos desenvolvedores e evita a sobrecarga.

A rotina de trabalho das equipes se dá em ciclos pequenos e rápidos para que o conhecimento seja produzido em pequenos lotes. Isso evita desperdícios, como por exemplo, a espera. O conhecimento e o material estarão disponíveis quando necessários, em partes pequenas que podem ser manipuladas facilmente. Ou seja, têm-se fluxo.

Além disso, deve-se utilizar de Eventos Alvo, conhecidos como Milestones, para puxar a equipe de desenvolvimento, ao qual após a definição das datas, estes são inadiáveis. Neles, deve ser analisado o progresso das equipes e repassado as contribuições para redirecionamento do trabalho.

5. Equipe de Especialistas Responsáveis

É necessário que as pessoas que trabalham numa empresa Lean saibam trabalhar em equipe, sejam responsáveis por seus projetos e desenvolvam especialização real, ou seja, sejam especialistas responsáveis, como é chamado por Ward. Especialistas responsáveis focam no sucesso global do projeto da empresa, e seus principais comportamentos devem ser: liderança para disciplina eficaz, comunicação eficiente e eficaz e gestão pessoal para especialização e responsabilidade.

A filosofia Lean além da manufatura

A filosofia Lean pode ser aplicada em diversos contextos para qualquer área ou segmento, inclusive para Desenvolvimento de Produtos. Essa filosofia baseia-se no entendimento do que é valor para o cliente e na eliminação de todo o desperdício. Para o LPD, o cliente do setor de desenvolvimento é a manufatura e o valor criado é o conhecimento utilizável que servirá para gerar valor ao cliente externo, no caso, cliente da manufatura.

Bibliografia

A literatura utilizada para elaboração deste conteúdo foi o livro Sistema Lean para Desenvolvimento de Produtos e Processos do Allen C. Ward.

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