A abordagem Lean na cadeia de suprimentos

Os conceitos gerenciais relacionados aos processos produtivos vêm passando por profundas transformações, como mostra Fleury (2000). A evolução do movimento da qualidade total – juntamente com a produção enxuta – trouxeram um conjunto de técnicas e processos que provocaram um grande avanço na produtividade de empresas espalhadas pelo mundo.

Nesta conjuntura, surgiu o conceito de Logística Integrada, que segundo Daugherty, Ellinger, Gustin “engloba o planejamento, controle e alocação de recursos (humanos ou não) relacionados ao apoio à produção, compras e distribuição física”.

Como mostra Christopher (2011), estamos passando por alterações no ambiente competitivo que vem mudando a forma como os negócios são vistos. Há mais concorrência: novas empresas e novas tecnologias são criadas a todo momento, assim surge a necessidade de se utilizar as práticas Lean na Cadeia de Suprimentos como um todo.

A Cadeia de Suprimentos abrange todos os esforços envolvidos na produção e liberação de um produto final, desde o primeiro fornecedor do fornecedor até o último cliente do cliente.

Dentro da cadeia de suprimentos a logística pode ser dividida em:

  • Logística Inbound (Suprimento): é parte da logística empresarial que corresponde ao conjunto de operações associadas ao fluxo de materiais e informações para o suprimento (ou abastecimento), desde a fonte de matérias-primas até a entrada na fábrica.

  • Logística Interna: engloba todos os fluxos de material e informação, movimentações físicas e operações que são realizadas dentro de uma empresa para a fabricação de um produto.

  • Logística Outbound (Distribuição): se dá após o processo produtivo, quando se inicia o planejamento da distribuição das mercadorias até os clientes finais – ou seja, é todo o processo logístico que tem início quando a produção está completa e precisa ser escoada.

O Lean não só garante o funcionamento da logística interna, com produtos entregues no momento certo e na qualidade esperada, mas também pode atuar na parte estratégica da empresa, sendo fundamental para a sincronização com a Logística Externa.

Uma técnica que pode ser adotada é o Pull Planning, que lida com o processo de decisão de quando e quanto de cada produto pedir.

O Pull Planning possui três etapas, sendo elas:

  1. Definir a estratégia de produção: qual produto estará disponível para a entrega imediata e qual deverá ser pedido, isso diz aos clientes o que eles precisam ter de material em estoque e quais podem ser pedidos sem que demorem a chegar;

  2. Capacidade do looping logístico de suprimento: o planejamento tem a ver com a verificação de que os fornecedores do armazém de distribuição e a rede de transporte estão preparados para lidar com um volume previsto de pedidos;

  3. Ordens de reabastecimento: as ordens são calculadas com base em quanto consumo é esperado durante o lead time do produto. Quando se atinge o nível de reabastecimento, é gerado automaticamente uma ordem para os fornecedores, que é igual à quantidade consumida.

Com uma melhor gestão do fluxo de informação e redução do lead time, o Pull Planning atua diretamente na atenuação do Efeito Chicote.

O Efeito Chicote é definido pela distorção da percepção da demanda ao longo da cadeia de suprimentos, no qual os pedidos para o fornecedor são diferentes dos requisitados pelos clientes.

Assim, segundo Alexandre Cardoso, a integração da Logística Externa com o Lean tem como objetivo “criar uma rede de colaboração na troca de informações, integração na logística e redução de desperdícios, o que permite, certamente, conseguir uma redução significativa no custo total da cadeia”.

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