A produção em um cenário com alta variedade de produtos

O desafio empresarial, atualmente, é atender a um alto grau de customização o qual o cliente exige, no menor lead time possível e a um custo aceitável pelo cliente. Os setores secundários da economia (indústrias) já competiam entre si por faixas de mercado e cada vez mais estão competindo com o setor terciário (serviços). Exemplo disso são as empresas automobilísticas que agora têm como concorrentes as empresas de tecnologias, como Uber, Google, Tesla, entre outras. Afinal, cada vez mais vem ganhando força a economia colaborativa, que deixa de ser centrada na posse do produto e passa a ser focada no compartilhamento.

Outro ponto que tem influenciado nessa competitividade do mercado é a forma de avaliar uma empresa através de um modelo de negócio e, não somente como uma indústria que fabrica algum produto de valor para o cliente. Assim sendo, a relação do consumidor com o produto ou serviço mudou completamente. portanto, o cliente está mais exigente devido à alta concorrência e qualidade do que lhe é ofertado.

Com isso, adequar a realidade do mercado com a produção está se tornando algo mais difícil e oneroso aos gestores. Quanto maior a diversificação do portfólio e customização de produtos ao cliente, maior é o mix de produtos. E quando se tem um alto mix de produtos é difícil determinar a qual família de produtos um produto pertence e qual família se quer mapear, pois além de se ter variados produtos na fábrica, uma família pode ter uma variação alta de tempos de ciclo de produção e passar por processos produtivos distintos de um produto para outro.

Além disso, é difícil avaliar a exclusividade de maquinário e capacidade produtiva para a família de produtos analisada. Portanto, quando o mix de produtos aumenta, há menos tempo para produzir todos os produtos da família, ou seja, tentamos melhorar a produção com um bom nivelamento e sequenciamento, porém isso se torna bastante complexo de pôr em prática. Acaba-se obtendo a dependência de sistemas de MRP e SAP robustos, o que, normalmente, proporciona maiores estoques entre os processos e maior lead time de resposta ao cliente. A gestão visual se torna ineficiente no caos que se torna a fábrica no meio de muito estoque, AGV’s (automated guided vehicle), rebocadores e empilhadeiras, explicitado pelo gráfico abaixo, que quanto maior o lead time de entrega ao cliente, maior será a chance dos problemas se acumularem ou estarem escondidos embaixo de grandes estoques e, assim, maior será o cenário caótico na produção. Desta maneira, é desafiador identificar se o chão de fábrica está seguindo no ritmo desejado de produção.

Gráfico do Caos (Caos x Lead Time)

Fonte: Adaptação do livro Creating Mixed Models Value Streams.

Segundo o autor Kevin J. Duggan, o significado de Mix Models seria produzir uma variedade de produtos pelo mesmo fluxo de valor a partir da puxada do cliente. E o livro Creating Mixed Models Value Streams busca trazer esse conhecimento como uma contramedida contra a alta variabilidade de produtos, pois sendo flexível e conseguindo responder rápido quanto à variabilidade do mix, não surge a necessidade um nivelamento da produção tão complexo como esperado.

Alguns dos desafios de uma empresa com um alto mix de produtos são os recursos compartilhados e como definir a família de produtos. Recursos compartilhados, são máquinas que produzem componentes para mais de uma família de produtos. Poucas empresas conseguem deixar maquinários dedicados às suas famílias de produtos, logo, busca-se produzir em grandes lotes, para otimizar o tempo de máquina. Mas qual o foco do sistema de valor como um todo? Esse ponto acaba passando despercebido e, por isso, cria-se ilhas de eficiência, através da maximização da produtividade do maquinário com grandes lotes e poucos setups, ao invés de buscar criar o fluxo do valor voltado para o cliente final.

Com relação à definição de família de produtos, é necessário analisar não somente a Matriz de Produto/Processo, como recomendado no livro “Aprendendo a Enxergar”, mas também é importante avaliar a relação da demanda da família de produtos. Normalmente, a demanda de cada produto pode variar bastante, porém ao classificar vários produtos dentro de uma mesma família, a demanda da família como um todo deve oscilar pouco. Portanto, tem-se uma previsibilidade melhor da demanda e, consequentemente, da capacidade produtiva necessária para atender a essa família.

Se considerarmos o que é mais produzido em cada produto e usar isso como a demanda total da família, pode nos induzir a compra de máquina ou maior quantidade de mão de obra no processo produtivo, o que na realidade pode não fazer sentido, sendo que, normalmente, quando a demanda de um grupo de produtos da mesma família aumentar, provavelmente a demanda de outro grupo de produtos da mesma família irá diminuir. Quando a família extrapolar a produção diária calculada, é aconselhável nivelar a produção com relação aos outros dias da semana ou usar hora extra (afinal é uma exceção) ou adicionar funcionários na linha para produzir dentro do takt-time.

Trabalhar com um alto mix de produtos é uma dificuldade para qualquer indústria. Cabe às empresas se adaptarem para que consigam se manterem competitivas, já que os desafios empresariais são grandes e a adaptabilidade não é algo novo, como cita William Edwards Deming: “Não é preciso mudar. A sobrevivência não é obrigatória”. Bibliografia A literatura utilizada para elaboração deste conteúdo foi o livro Creating Mixed Model Value Streams do Kevin J. Duggan.


#Lean #HighMixVolume #ValueStreams

Posts Recentes
Arquivo
Siga-nos!
  • Facebook Basic Square
  • LinkedIn Social Icon

© 2020 GLean - Grupo de Estudos em Lean