A filosofia por trás da Implementação Lean

Na busca por maior flexibilidade, propostas de novas metodologias e formas de organizar o trabalho entram em pauta nas reuniões estratégicas. Conseguir entregar mais valor com menor custo é o objetivo gerencial, e neste cenário, aumentam as chances da empresa deparar-se com ferramentas advindas do Lean: seja por meio de benchmarking, por um estudo realizado sob demanda, ou mesmo por meio de um consultor que promete trazer resultados milagrosos ao replicar práticas adotadas por outras empresas em situações similares.

É nesse momento que a empresa corre o risco de perder uma grande oportunidade: a de se tornar uma empresa enxuta. O Lean é uma filosofia, advinda da metodologia japonesa de gestão e formação de pessoas, adotada na Toyota. Esta filosofia visa aumentar a produtividade através da eliminação de desperdícios. Como a definição já traz, trata-se de uma filosofia, e tentar replicar práticas advindas do pensamento enxuto sem realmente internalizá-lo acaba por gerar melhorias de curto prazo, em um ambiente que não está estruturado para sustentar a sua perpetuação.

O sistema enxuto é constituído por uma filosofia de fluxo de valor: o que o cliente valoriza? Comece definindo o que é valor e elimine as perdas no caminho que ele percorre. O MFV (mapeamento de fluxo de valor) é a ferramenta central para a visualização destes fluxos enxutos. Partindo do mapeamento do estado atual, é possível ter uma visão holística da situação vigente, e este mapa, contendo o fluxo de valor atual e seus desperdícios, servirá de base para o desenho do estado futuro: um fluxo de valor enxuto, sem desperdícios e que atenda à demanda, entregando valor ao cliente.

O início da implementação enxuta é pautado nas ações que levam ao atingimento deste estado futuro. Toda e qualquer ferramenta a ser implementada na empresa, deve vir no intuito de solucionar um problema que ela enfrenta, ou seja, como instrumento na busca pela resolução das suas próprias necessidades.

Por isso, utilizar as ferramentas do Lean sem que haja verdadeira compreensão da filosofia enxuta é de pouca valia no longo prazo. A aplicação de ferramentas enxutas é um processo lógico e que exige planejamento, e quando aplicadas estrategicamente na resolução dos problemas da empresa, levam a sistemas enxutos e, por continuidade, a fluxos de valor enxutos.

Para que a organização se torne enxuta, é necessário que a cultura se internalize, e por isso, deve-se buscar envolver ao máximo os colaboradores a também pensarem desta forma. Enquanto se tomam ações com intuito de eliminar desperdícios e implementar mudanças de forma a transformar o fluxo mapeado em um fluxo enxuto, ferramentas enxutas que ajudam a perpetuar o pensamento, como o 5s, podem ser implementadas por toda a planta.

Outra forma de inserir os envolvidos no pensamento enxuto é através da realização de Eventos Kaizen, que aplicados à resolução de problemas críticos, tem o poder de trazer grandes resultados em um curto período de tempo. Desta forma, é possível convencer até os mais céticos da força que a mentalidade enxuta possui. Os Eventos Kaizen também podem ser usados em setores que enfrentam problemas, engajando os envolvidos na busca de uma condição alvo a ser atingida. Assim, é possível encontrar e eliminar num curto período de tempo, a causa raiz desses problemas, de modo a aumentar a performance do setor.

A grande vantagem do uso de diferentes abordagens Lean simultaneamente é a de manter os pontos fortes de cada uma e minimizar os pontos fracos, ao mesmo tempo em que se busca atingir um estado futuro do MFV. Além do envolvimento de uma grande quantidade de pessoas na manipulação de ferramentas advindas do pensamento enxuto, é possível resolver problemas latentes, ganhando a atenção e a confiança da alta gestão - o que abre espaço para que mais melhorias possam ser propostas e mais confiança seja depositada no gestor Lean.

Porém, deve-se estar ciente do risco de diversificar em excesso os recursos e não obter sucesso na implementação das melhorias propostas. Além de uma boa rotina de auditorias e acompanhamento, é necessário que o gestor Lean esteja preparado para recuar em alguns projetos caso a qualidade das entregas não seja a desejada ou os prazos não estejam sendo cumpridos. Nesta situação, é importante ter em mente que a busca pelo fluxo de valor enxuto é o norte a ser seguido, e caso seja necessário reduzir as atividades pela planta, deve-se focar na linha modelo (plano piloto).

Como dito anteriormente, ferramentas de melhoria de processo são boas técnicas para envolver os funcionários e trazer resultado a curto prazo, porém não se perpetuam caso a mentalidade enxuta não esteja bem implementada na empresa. É necessário desenvolver as pessoas e a organização, a fim de que estas sejam capazes por si sós de realizar as melhorias necessárias. Funcionários que trazem para sua rotina o conceito de melhoria contínua, desenvolvem senso de dono, e os benefícios do pensamento enxuto se multiplicam.

Referências:

Liker, J., & Meier, D. (2007). Modelo Toyota - Manual de Aplicação: Um Guia Prático Para a Implementação dos 4Ps da Toyota. Porto Alegre: Bookman.


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