O Início da mudança – Sistema Toyota de Produção


Sakichi Toyoda nasceu em 1867 na vila de Yamagushi no Japão e desde criança demonstrou um forte espírito de invenção, aprendendo com seu pai carpintaria. Com isso, por volta de 1890, Sakichi, observando a grande dificuldade que sua mãe, tecelã, tinha ao trabalhar com os teares da época, começou a imaginar maneiras que pudessem facilitar o trabalho dela no dia a dia. Após diversas tentativas e protótipos ele desenvolveu uma bem sucedida invenção, o primeiro tear manual possível de ser operado apenas com uma mão, o que possibilitou a remoção do desnível do tecido e o aumento de cerca de 50% de eficiência na operação.



Entretanto, Sakichi não ficou satisfeito , e continuou propondo diversas outras melhorias para aumentar cada vez mais a produtividade do processo de tecelagem. Em 1896 ele criou o primeiro tear mecânico do Japão, revolucionando o setor têxtil, e continuou melhorando-os progressivamente. Os teares antigos desperdiçavam uma grande quantidade de material quando um fio se rompia, o que acontecia com frequência, e passavam despercebidos pelos operadores.


Percebendo isso, Sakichi em conjunto com seu filho, Kiichiro Toyoda, desenvolveu sua obra prima, o Modelo G.



O Modelo G foi o primeiro tear mecânico de alta velocidade do mundo, mas sua principal característica estava nos dispositivos automáticos que paravam o tear sempre que os fios arrebentassem, possibilitando assim, que apenas um operador fosse capaz de observar mais de 30 teares simultaneamente. Dessa forma, então, surgiu o primeiro pilar do STP, o Jidoka, trazendo o conceito de que os humanos devem ter a interação com as máquinas de modo a obstruir o surgimento de qualquer problema e impossibilitar que eles sejam propagados. Com isso, em 1926 Sakichi funda a Toyoda Automatic Loom Works, a primeira empresa do grupo Toyota.

Em 1929, Kiichiro Toyoda fez uma viagem para os EUA para licenciar a tecnologia dos teares automáticos. Entretanto, ele ficou impressionado com o grande volume de automóveis nas ruas americanas e decidiu que começaria a produzir automóveis, pois estes poderiam ser uma grande oportunidade de crescimento. A partir de então, Kiichiro passou a observar as principais fábricas de automóveis da época, em especial a Ford. Buscou entender todos os processos de fabricação da indústria automobilística para adaptar em sua fábrica, mesmo sabendo que não tinha os recursos necessários para produzir em massa como as empresas da época.


Inspirado no sistema de supermercado americano, o qual a reposição de produtos nas prateleiras ocorria à medida que os clientes consumiam, Kiichiro iniciou o desenvolvimento do segundo pilar do STP, o Just-in-Time (JIT), visando eliminar os desperdícios, produzindo apenas o que era necessário, quando era necessário, na quantidade necessária. Assim, Kiichiro começou a desenvolver os primeiros protótipos de automóveis para passageiros em 1935, e fundou a Toyota Motor Company em 1937.


Entretanto, Kiichiro teve seus esforços de aperfeiçoar o sistema JIT interrompidos com o início da 2ª Guerra Mundial em 1939. Após a guerra, a Toyota passou por grandes dificuldades e Kiichiro se demitiu da presidência da empresa, visando amenizar as greves e a situação da organização, passando seu sonho para seu primo Eiji Toyoda.


Eiji se propôs a colocar a Toyota dentro dos padrões tecnológicos americanos, que possuía uma produtividade 8 vezes maior do que a japonesa, em apenas 3 anos. Para isso, contratou Taiichi Ohno para ser o gerente da fábrica e desenvolver um sistema de produção mais eficiente. Os dois uniram os conceitos propostos por seus ancestrais, o Jidoka e o Just-in-Time e os aperfeiçoaram ao máximo. Ohno propôs que cada processo da fábrica seria um cliente do processo anterior e para que essa idéia funcionasse corretamente desenvolveu o sistema Kanban (leia mais sobre aqui).


O Sistema Toyota de Produção ganhou grande atenção mundial com a crise do petróleo em 1973, a qual a empresa japonesa se recuperou muito antes que os outros fabricantes de automóveis. Desde então o mundo intrigou-se buscando entender como aquela pequena empresa japonesa com recursos escassos conseguia crescer constantemente. Foi então que um estudo financiado pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts desenvolveu o livro “A Máquina que Mudou o Mundo” e trouxe a tona o termo Lean pela primeira vez na história, contando a história do Sistema Toyota de Produção que se disseminou pelo mundo.



Referências:


WOMACK, James P.; JONES, Daniel T. A máquina que mudou o mundo. Gulf Professional Publishing, 2004.


https://www.toyota.com.br/mundo-toyota/toyota-production-system/





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