Saiba mais sobre o Lean Change Canvas e como ele pode te ajudar nos processos de mudança da sua empresa

 

 

Se você já passou pela experiência de construir ou modificar um modelo de negócios muito provavelmente já utilizou ou ao menos ouviu falar sobre a ferramenta proposta por Alexander Osterwalder: o Business Model Canvas. Uma ferramenta prática e bastante versátil, o Canvas se propõe a analisar diversos aspectos do negócio em apenas uma folha de papel.

 

O Canvas analisa:  (1) o segmento de clientes; (2) a proposta de valor; (3) os canais; (4) o relacionamento com clientes; (5) as fontes de receita; (6) os recursos principais; (7) as atividades-chave; (8) as parcerias principais; e (9) a estrutura de custos. Juntos, esses nove elementos ajudam na elaboração de uma estratégia de negócio que vai permitir que o seu empreendimento entregue aquilo que o mercado precisa e deseja.

 

Legal! Mas esses elementos são fixos? E se eu quiser analisar outros aspectos do meu negócio?

 

Foi justamente o que algumas pessoas passaram a se perguntar depois que conheceram e experimentaram o Canvas. A ferramenta começou a ser adaptada para diferentes usos, e ganhou novos enfoques, sem nunca perder entretanto, sua versatilidade, praticidade e foco na resposta às necessidades reais dos clientes. Existe o Canvas para a inovação, o Canvas para projetos, o Canvas para campanhas de marketing, o Canvas para mudanças Lean…

O Canvas para mudanças Lean?

 

Isso mesmo! Jeff Anderson desenvolveu essa ferramenta em 2012 afim de suprir um grave problema que as empresas que iniciam sua jornada Lean enfrentam: a mudança cultural. A ferramenta surgiu da fusão de dois conceitos : o Lean Canvas de Ash Maurya e os oito passos da mudança de Kotter. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada um deles. 

 

 

Fonte: elaborado pelos autores.

 

O que é o Lean Canvas?

 

O Lean Canvas adaptou o quadro Canvas, dando um maior enfoque para o planejamento estratégico de startups, relacionando conceitos Lean como a redução do tempo para a elaboração de projetos e a definição de valor pelo cliente. Focado no ciclo de Lean Startup, a ferramenta impulsiona a criação de idéias, através de validações dos clientes e aprendizagem, de forma contínua.

 

Considerando estes fatores, Ash desenvolveu um livro voltado especialmente para o Lean Canvas, chamado Running Lean. Neste, ele ressalta a importância do quadro apresentado abaixo, bem como os passos que devem ser seguidos para construí-lo, evidenciando a necessidade de seguir uma ordem cronológica para melhor analisar e construir cada etapa do quadro com excelência. Além disso, é dado um grande enfoque para as informações adquiridas ao longo do processo, por meio do contato direto com potenciais clientes - elas são essenciais para que se desenvolva o melhor produto/serviço.

 

 Fonte: MAURYA, 2010, p.17.

 

Ash ressalta que, muitas empresas criam projetos inovadores, gastando tempo e dinheiro semsaber ao certo se o cliente realmente vai querer aquele produto/serviço e devido a isso, a maioria das empresas falham. Além da própria construção do quadro, no livro Running Lean é apresentado uma metodologia que deverá ser seguida para alavancar seu produto/serviço e atingir novos consumidores, com base em etapas de marketing e entrevistas de potenciais clientes para melhor entender as necessidades do mercado.

 

Entendi.. é dai que vem a estrutura do quadro. Mas e os conceitos de mudança envolvido no Lean Change Canvas? Estes conceitos vem a seguir, com uma proposta de John Kotter.

 

Constantemente as organizações precisam mudar sua forma de funcionamento mas esse processo de mudança nem sempre é fácil. Especialmente nos dias de hoje, onde o avanço da tecnologia acarreta frequentes e repentinas necessidades de mudanças, muitas empresas não conseguem implicar e motivar todos os seus funcionários o tempo todo para cada nova mudança.

 

Ciente da importância da implementação de mudanças organizacionais, John Kotter desenvolveu os 8 passos da mudança, apresentados em seu livro O Coração da Mudança. Neste, Kotter mostra como deve ser implementada uma mudança organizacional etapa por etapa e ressalta a importância e a cronologia destas para a eficácia da mudança. São eles:

 

1 – Aumentar o senso de Urgência: evidenciar o problema da organização e estabelecer o senso de urgência para todos os envolvidos.

 

2 – Construir a equipe de orientação : fazer uma equipe com pessoas capacitadas e com habilidades adequadas para realizar a mudança.

 

3 – Definir a visão: determinar a visão da empresa com aquela mudança. Deixar evidente e claro onde quer chegar.

 

4 – Comunicar a Visão: fazer com que todos entendam a visão e estejam perfeitamente alinhados com esta.

 

5 – Empowerment para a ação: fornecer meios para que a mudança ocorra.

 

6 – Criar vitórias de curto prazo: evidenciar ganhos durante a implementação da mudança que mostrem seu valor e motivem os envolvidos.

 

7- Não permitir o desânimo: não deixar com que os envolvidos na mudança desanimem ou se conformem apenas com as vitórias de curto prazo.

 

8 – Tornar a mudança duradoura: estabelecer a mudança pela organização uniformemente e como forma cultural, fazendo com que todo esforço e resultado gerados se mantenham com o tempo.

 Fonte: adaptado de Kotter e Cohen (2002).

 

E assim, criou-se o Lean Change Canvas…

 

Ao unir essas duas metodologias Jeff Anderson propôs uma nova formulação para planejar projetos de mudanças, tanto específicas quanto culturais. Para isso, ele utilizou o conceito do quadro visual - trazendo os aspectos de versatilidade, práticidade e dinamismo na contrução das ideias, através de brainstorm, post-it e etc. Tudo isso, acompanhando as caracteristicas dos 8 passos de Kotter, trabalhados dentro dos blocos do Lean Change Canvas.

 

E quais foram as principais mudanças nesse quadro? O que elas representam?

 

Basicamente, neste novo quadro trabalhamos com 9 componentes:

 

1  Urgência: levantar os pontos mais urgentes da mudança;

 

2 – Impactados pela mudança: listar segmentos de pessoas impactadas por essa mudança, tanto direta quanto indiretamente;

 

3 – Visão: traduzir da forma mais concisa possível o estado futuro no qual se almeja chegar, ou seja, seus objetivos;

 

4 – Critérios de sucesso: definir critérios de mensuração do progresso da mudança, trabalhados como indicadores;

 

5 – Ação: especificar as principais funções que devem se concretizar para consolidação da mudança;

 

6 – Comunicação: estipular o modo pelo qual ocorrerá a comunicação entre a equipe que realizará a mudança;

 

7 – Facilitador estratégico: componente que deve conter fatores estratégicos que facilitarão a concretização da mudança, podendo ser desde metodologias de trabalho até integrantes chave da equipe de implementação;

 

– Recursos necessários: evidenciar os recursos (tempo, dinheiro, equipamentos, capacitação e etc) que serão consumidos;

 

9 – Ganhos: listar as expectativas de ganhos qualitativos e quantitativos;

 

 

 

Fonte: página do blog de Jeff Anderson. Disponível aqui

 

 

Ok! Mas qual o principal objetivo disso tudo?

 

A mistura dos conceitos entre as metodologias tem o foco da otimização de todo processo de mudança, o qual sempre é acompanhado de uma dinâmica de desempenho muito parecidas, onde partem do estado atual (status quo), enfrentam uma fase de adapatação com um desempenho abaixo da normalidade até que os frutos da mudança se concretizem e se tornem o padrão da empresa. Para isso, trabalha-se em um ciclo criado por Jeff chamado de "Minimum Viable Change"(MVC) - a mudança minimamente viável, que tem como objetivo minimizar esse tempo de queda de desempenho.

 

 

 

Fonte: página do blog de Jeff Anderson. Disponível aqui

 

Nesse ciclo de MVC, a etapa do Build (Construir/Implementar) consiste em: antecipar os riscos de implementação; construir hipoteses e planejar a implementação; e definir as características e impactos da mudança. Já a fase de Measure (Mensurar/Analisar) visa mensurar empiricamente os efeitos da mudança e avaliar os efeitos sobre os comportamentos dos impactados pela mudança. Por fim, a etapa do Learn tem como objetivo adaptar os efeitos encontrados para concretizar o MVC e otimizar o processo de mudança para um sistema sustentavel. Alguns autores defendem que o ciclo se inicia na etapa do Learn, alegando que você deve primeiro aprender para depois construir.

 

A ponta de um iceberg…

 

Esperamos que esse conteúdo tenha ajudado na compreensão do pensamento da melhoria contínua dentro das organizações. Entretanto o que apresentamos hoje é a ponta de um iceberg, a construção do quadro Lean Change Canvas é apenas uma ferramenta (totalmente adaptável que deve servir de apoio para orienta-lo em projetos de melhoria) que faz parte de uma metodologia de implementação carregada de conceitos e pensamentos sistêmicos muito maiores.

 

Se interessou pelo assunto? Continue nos acompanhando, estaremos lançado conteúdos inéditos semanalmente!

 

Qualquer dúvida, o Grupo de Estudos em Lean (GLean) da Universidade Federal de Santa Catarina está à disposição para solucioná-las! Acesse nosso LinkedIn Facebook.

 

Referências:

 

ANDERSON, Jeff. Lean Change Part 1 - Combining Kotter and Running Lean.2012. Disponí­vel aqui. Acesso em: 03 maio 2016.

 

MAURYA, Ash. Running Lean: Iterate from Plan A to a Plan That Works. O'reilly, 2012. KOTTER, John P.; COHEN, Dan S.. O coração da mudança. Campus, 2002.

 

 

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