Agile: entenda porque a metodologia ganha cada vez mais adeptos e qual sua relação com o Lean



Muito se fala sobre o Lean e o quanto a chegada do Sistema Toyota de Produção revolucionou a área Industrial, dado que o sistema marcou positivamente o mercado, impulsionando a visão de competitividade empresarial na época do pós-guerra.


Mesmo que inicialmente aplicadas no setor automobilístico, as ideias do Lean vêm se disseminando, dada a sua versatilidade de aplicação e os bons resultados já comprovados em diversos setores.


Nesse contexto é que surgiu o Agile - uma filosofia de pensamento que nasceu nos anos 90, e tem sua essência no mercado de desenvolvimento de softwares. A ideia central era combater as metodologias existentes na época, as quais eram muito engessadas e inadequadas para desenvolver produtos nesse ramo de mercado que exigia constantes mudanças.

Visionários da programação, como Kent Beck e Martin Fowler, criaram essa linha de pensamento como uma forma mais eficiente de entregar valor aos clientes, evitando grandes períodos de planejamento e desenvolvimento. Métodos usados na época, como o Waterfall, envolviam etapas ineficientes para os mercados voláteis como os de software. Esses métodos inviabilizavam mudanças, ou as tornava muito caras.


Resumindo:



Realmente são métodos bem diferentes, mas como o Agile passou a ser conhecido?


O pensamento Agile foi oficializado em Utah, onde 17 pensadores criaram o Manifesto Agile. O objetivo era sintetizar uma mensagem que pudesse facilmente propagar esses conceitos para todo o mundo. E foi por meio de 4 frases simples que o manifesto tomou forma:

  1. Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;

  2. Software em funcionamento mais que documentação abrangente;

  3. Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;

  4. Responder a mudanças mais que seguir um plano;


Através das palavras destacadas, o Manifesto transmite talvez uma das mais importantes mensagens da filosofia: por mais que haja valor nos elementos à direita, os elementos à esquerda são mais importantes. De nada adianta negociar contratos e tratar o cliente como inimigo quando, na verdade, o foco deve ser satisfazer suas necessidades de maneira colaborativa e contínua. Assim como seguir um plano de maneira engessada para meramente "cumprir com o planejado", muitas vezes, não agrega valor ao projeto, visto que a ferramenta inicialmente concebida já não expressa mais as vontades do cliente.


Parece óbvia a utilização do Agile no mercado de softwares, mas essa é sua única aplicação?


Na verdade não. O Agile vem sendo cada vez mais utilizado, por exemplo, em cadeias de suprimento (Agile Supply Chain) e em Gestão de Projetos. A aplicação do conceito na área de cadeia de suprimentos tem modificado a maneira como as estratégias de criação e manutenção de cadeias é realizada. Além disso, em conjunto com a filosofia Lean, o método Agile provou ser bastante eficaz na resposta às variações na demanda de mercado.


Da mesma forma, na gestão de projetos em mercados incertos, onde ocorre constante mudança das necessidades dos clientes, vê-se a necessidade de métodos flexíveis de desenvolvimento de projetos e entregas constantes aos clientes, o que é potencializado com a Gestão de Projetos Agile.


Agile Supply Chain ou Lean Supply Chain?


Para compreender o conceito de Cadeia de Suprimento Agile é necessário compreender que as variações na demanda possuem duas causas principais: a incerteza real na demanda do mercado e o efeito chicote. A primeira representa de fato as variações de demanda causadas pelo cliente final, as quais podem ser tanto altamente complexas quanto simples de se prever. A segunda representa uma amplificação na demanda que é, até certo ponto, induzida pelo sistema quando não se existem estratégias de prevenção e/ou boa comunicação entre os elos da cadeia.


É importante ressaltar que uma das maiores preocupações de uma cadeia de suprimentos, seja ela Agile ou Lean, é inicialmente eliminar os efeitos negativos dessa demanda induzida. Isso só é alcançado através de uma comunicação rápida e eficiente entre os elos da cadeia, aumentando o poder de resposta às variações.


Mas o que difere uma cadeia Lean de uma cadeia Agile?


Uma cadeia Agile possui seu maior diferencial na resposta rápida ao mercado, o que garante alta flexibilidade, porém traz um elevado custo de operação. Já uma cadeia Lean, tem seu foco na eliminação de desperdícios e no nivelamento do cronograma de atendimento, o que garante um processo mais enxuto e também mais responsivo.


Muitas vezes é complicado diferenciar uma cadeia Lean de uma cadeia Agile, uma vez que ambas prezam pelo foco no cliente. Uma dica é começar pela distinção do tipo de comportamento do mercado e do produto que está percorrendo a cadeia.


Tomemos como exemplo os seguintes produtos: uma camiseta que segue as tendências de moda atuais e um pacote de arroz parbolizado. O primeiro possui uma demanda imprevisível, enquanto que para o segundo é possível certamente realizar uma previsão de demanda que ofereça bom grau de confiabilidade. Para ambos os casos existe uma cadeia mais adequada.


Para a camiseta, uma cadeia Agile é mais interessante,interessante, visto que a manutenção do nível de serviço é um critério ganhador de mercado. Já para o arroz, uma cadeia Lean que foque na redução de desperdícios e, consequentemente, em um baixo custo de operação, seria mais adequada, uma vez que o preço é provavelmente o critério ganhador de mercado. Como exemplo, tomemos a questão do excesso de capacidade. Enquanto uma cadeia Lean enxergará essa questão como desperdício, uma cadeia Agile reavaliará se esse excesso será necessário para garantir um alto nível de serviço.


Na prática, o que se vê frequentemente é uma combinação de ambas, formando as cadeias conhecidas como Leagile. Essa nova concepção representa a união dos benefícios de um baixo custo de operação da cadeia Lean com o elevado nível de serviço da cadeia Agile. Essa estratégia é implementada comumente por meio do chamado ponto de desacoplamento.


Esse ponto tem como objetivo garantir que os componentes ou partes de certo produto sejam pré-produzidos de maneira Lean, uma vez que a demanda por eles é mais previsível, até o ponto máximo onde a empresa é obrigada a entrar com a informação do pedido do cliente. É exatamente nesse ponto onde ocorrerá a diferenciação. À partir dele, a cadeia passa a operar de maneira Agile para garantir que o Lead-time de entrega seja reduzido sem que a cadeia perca em flexibilidade no fornecimento ao consumidor final.


Já pensou onde o Agile se encaixa na sua empresa?


É interessante trazer à tona outras formas de pensar sempre que possível para dentro da sua empresa. Somente uma linha de pensamento raramente será suficiente para resolver todos os problemas encontrados. No caso do Lean e Agile, ambos trazem visões e soluções diferentes para problemas semelhantes. Entender os pontos fortes de cada visão torna o empresário apto a aplicar esses conceitos dentro da própria empresa, aumentando sua flexibilidade, solucionando problemas de forma inteligente e impulsionando a sua competitividade no mercado.




#Agile #SupplyChain

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